Se Delatando

Os esqueletos
são prateados
Existem placas de litium neles
Elas amordaçam suas vontades
Abusam da agilidade
O fêmur é um eletrodo de Órion
Se comunica com o espaço
E o crânio versatiliza
Uma rajada de temperos hindus
Vejo olhos quentes me vendo
Eles estão se delatando
Se delatando

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Borboleta

Borboleta sou um cinema translúcido, porque estamos diante de nós. Lembre-se que a poeira se levanta e as coisas mudam, se transformam. Uma águia, um salto no espaço, um diamante que dança e brinca. Porque o rio cruza aquela ponte dos sonhos azuis como os portais da dimensão solar do amor incomensurável. Como um cavalo sem nome correndo pelo deserto, dançando a alegria das surpresas, das buscas da vida, incessantes e quase sempre incompletas. Como um momento, aquele em que não respiramos por um instante, quando olhamos os véus e os céus da alma, sem dó, com atitude visceral. Por mais que isso passe a ser perigoso, doloroso, ou feliz. Sim, entro no deserto a espera de um trem, naquela estação de metro, lá longe, ao lado do nada, na poeira de um vento veloz. Borboleta, de olhos  e asas nítidas, como a fonte donde brota o mais puro amor e lucidez, como elétrons fotografando o real, emitindo uma forte descarga de vontade de vida. Sim, a música é o melhor, e entre as estradas nos ensinamos a perceber os detalhes irreconhecíveis pelos mortais sem cor.

Borboleta, a palavra do mestre das montanhas me pede um atalho para o mar, uma pequena trilha que corre ao lado do oceano, que nos ama, onde entra o disco voador de Órion pelo túnel da sua luz, sempre líquida, plasmada, sagaz, atenta. Entre os vímanas e a metrópole, ao raiar do dia, e um atônito pôr de sol no mar que explode no seu olhar, que talvez tenha evitado me olhar, às vezes. São como lembranças do DNA de vidas passadas, de sensações multipintadas de perfumes e sensações muiltifísicas e sensoriais. Espero ser angelical no desejo. Às vezes as estrelas vêm voando a mil pelo espaço a me olhar bem rápido, a me chacoalhar com força e sem vergonha. Um jato passa pelo céu. Um blues rola na janela de mais um dia sensato demais. Tudo pede uma volta ao paraíso, tudo me alerta para um olhar delicado, e uma bem colocada árvore de morangos silvestres, como os do Bergman. Brownie com vodka cai bem, mas uma canção de amor pode ser Slade, ou não. Sinceramente a solidão pode ser elemental, ou elementar, quando cai do céu uma deusa como Abraxas, a sagrada energia feminina de Lilith, a rainha dos incautos. Aquela que seduz naturalmente. Com graça, fogo e generosidade.

Adoro praias e o seu som, adoro as ondas do mar, sua vibração é espessa como um beijo profundo, denso, delirante, quando se viaja sem pensar na entrega de uma vontade explícita e boa. Borboleta. És sim azul, rosa, amarela e terna, tenra, doce e perigosa. Amável e serena, quem és tu? Enfim, se as respostas estão guardadas no infinito molecular das palavras não ditas, mas pensadas, as ditas quase explicitamente, camufladas sem pudor para serem descobertas, estão bem nítidas. Ahh, esses segredos tão íntimos e deliciosos. Nosso legado incontestável. Essa vida prega de repente algumas peças de vidro, outras de aço, simbiose. Michael Jackson se foi, mas Lennon me toca mais. Sempre. E, se não soubermos o que esperar do futuro, me ajusto a mercê das radiações solares da quinta dimensão e pratico minha yôga. Borboleta podes ser como aquela canção, caravana de brâmanes cegos flutuam pelo deserto quase anil, belas imagens nas galerias de arte, em Paris. Sempre. Cabelos longos, palavras e dimensões paralelas. Druidas, semeadura e cosmos. Beijos. Abraços. Mãos. Pés. Boca. Quantas estradas e fragmentos, A atração, de que forma ela viva, é uma coisa esperta, sagaz e rápida, mesmo que súbita e plasmada, existe por tudo e pela história Sim, daria um livro, mas um livro com final feliz, um livro de compaixão e entendimento. Borboleta saiba que a explosão foi perceptível, teve um significado melhor, maior, desconhecido. Uma coisa que não se escolhe, não se formata, se aceita, se vive, ou não.  E, como você mesma disse, por mais que saibamos, a espiritualidade que nos liga, mesmo sem precisar de explicações, é viva no universo e mexe com emoções sim, queiram ou não nossos mentores, aqueles que nos amam e zelam por nós. Borboleta foi bom, muito bom te ver, sentir sua luz e, ao mesmo tempo, sua indisfarçável curiosidade e surpresa.

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O tempo voa e perdi a lua

Enquanto o sol esquenta

O tempo voa e perdi a lua

Enquanto a água plana

Teu sorriso transformou outra boca

Feliz

Então sinto-me só

Descomprometido, fora do tempo

Tentando encontrar a estrada daquele dia

Há anos perdida em nuvens violetas

Enquanto peixes rumam para longe

O tempo imperdoável, insano, atormentador

Se esquece da compaixão

Dentro do buraco da esfinge do peito

Então as ondas chegaram rolando

E o peixe saltou de mim

Para o meu desconhecido

Enquanto o sol esquenta

Na parede das memórias

Ainda leio teu nome

Ainda sinto teus olhos

Mas tudo ficou tão longe, disperso, desabotinado

E sinto-me só

Então as ondas chegaram rolando

À distância, dentro dos sonhos, sua voz chama

Na luz do dia sua insegurança desafia você

Mesma

Por que o tempo desnuda e recria

Peixes fugindo entre meus dedos

Uma estação, um trem que nunca chega

A atmosfera etérea do sentimento nu

São tantos anos

Então o sol esquenta

Acalentando a chama trina

Me sinto só, afinal

Então as ondas batem nas minhas rochas de fogo

Acordando aqueles velhos sonhos

E sonhando com novas possibilidades

Viva!

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O elemento que re-liga

maga

Você coloca seus olhos brilhantes no topo da montanha

Como fazia nos tempos dos druidas e magos

Você aquece a alma como só um anjo faz

Você poderá reger a constelação, abrirá as portas do amanhecer

Poderá ficar também, louca, insana e destruidora

Uma águia, um salto no espaço, um diamante que dança e brinca

Energia

Sinergia

Alimentam os olhos fortes

A alma, a lua, o amor

És fogo forte e intenso

que

Despenca pela poesia e pela mensagem

Divina, sua, minha, nossa

Abre-me com palavras

Olhando no fundo da minha alma

Desnudando, amplificando

Tens força, atrai, puxa e beija acalenta arranca

Com o  olhar

És reiki, és bruxa, és fêmea, és atrativa, me chama

Acordou-me do sono profundo

Como um pégaso de cabelos longos

A balançar seu jeito compacto, convexo, anexo ao kundalini em fogo

Ao rir, sorrir, amando o que faz com as mãos

Lendo os arcanos sagrados, ciganos, até profanos

Desperta a luz, a atitude, a firmeza

Magia, alquimia,

Por que

Você vive em cima e em baixo

Uma borboleta com asas quebradas
Cai ao seu lado
Os corvos estão se aproximando
Não há lugar para você se esconder

Nem eu

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le désir

Sensação

desejo, sedução

atração

me faço atônito como um pássaro

porquê você brilha na imaginação

fraseando meu coração de audaz albatroz

e quem sabe na cidade mais iluminada

momentos de carmim nos engulam

na leve e suave pluma

a flutuar de levar e voltar

porque vejo beijos de luz que invadem o meu plexo

e reflete o lago pleno do teu

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Tao

 

Natureza

espiritualidade

postura

controle

reflexão

fixação de pensamento

profunda meditação

êxtase final

criação

conservação

dissolução

consciência da não violência

pensamentos orgânicos

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Gravando Seu Nome

se você fosse
minha densidade
se todos esses sentidos acabassem
retornando
ao mesmo
ponto
resolveria

será a dádiva

minha
estética
olho
o deserto
ali
onde
está gravado seu nome
me chama para dentro de si

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